Há cerca de dois meses, chegou um pedido inesperado. Um grupo de professores turcos, com viagens já marcadas, procurava acolhimento numa escola portuguesa. A resposta foi célere. Rui Vanzeller, diretor do agrupamento, deu luz verde, e a partir daí, começou a desenhar-se uma experiência que ultrapassaria largamente o previsto.
Com o apoio próximo da Paula Maia, Coordenadora da EMAEI, organizou-se uma mobilidade Erasmus, sob o formato de jobshadowing, centrada na educação inclusiva. O programa levou-nos a visitar algumas das escolas do agrupamento, tais como: EB de Cabanões, ES Gaia Nascente, passando pela EB 2,3 Agnes de Cernache, ao Centro Escolar Fernando Guedes e a EB 2,3 Adriano Correia de Oliveira, revelando, em cada uma, práticas que conjugam pedagogia, cuidado e humanidade.
Houve lugar para assistir a aulas inclusivas, acompanhar atividades de desporto escolar adaptado, Boccia, e permitiu-nos visitar também unidades multidisciplinares, onde a educação se encontra com a terapia e o bem-estar. A sala Snoezelen, na EBAC, pensada para estimular os sentidos e promover o equilíbrio emocional, para além de terapias assistidas por cães e unidades especializadas no apoio ao autismo compuseram um retrato vivo de uma escola que procura chegar a todos.
Mas mais do que os recursos ou as metodologias, foi o envolvimento das pessoas que deixou marca. Professores, psicólogos, assistentes operacionais, famílias e equipas de mediação revelaram um compromisso profundo com alunos com multideficiência — um compromisso que se constrói na proximidade, na persistência e numa dedicação que não cabe em relatórios.
Vindos de duas escolas de Çorum, nas proximidades de Ancara, os docentes turcos confessaram-se impressionados com o que encontraram: práticas que consideraram vanguardistas, mas sobretudo um sentido de humanidade que reconheceram como exemplar.
A expectativa inicial era a de surpreender quem vinha de fora. No entanto, como tantas vezes acontece, a maior surpresa foi interna. Porque, no fim, há projetos que nos lembram, com discrição e força, que a educação, quando verdadeiramente inclusiva, é sempre um gesto coletivo de esperança.
Fica, por isso, um sincero bem-hajam e a gratidão por uma experiência que, mais do que partilhada, foi sentida.
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